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COMENTÁRIO
 

Assim, a história daqueles dias tão especiais é perspectivada pelo semáforo vermelho que, durante alguns minutos, susteve a marcha da revolução e a caminhada dos militares até ao Largo do Carmo; pela porta do estúdio da Emissora Nacional, onde foi lido, por Joaquim Furtado, aos microfones daquela estação, a primeira comunicação oficial ao país por parte do Movimento das Forças Armadas; pela espingarda dos soldados que, em vez de disparar tiros, se encheu, simbolicamente, de cravos e de esperança; pelo lápis azul da Censura que, depois da Revolução, perde a sua função original e passa a colorir desenhos inocentes de uma criança; pelo documento incriminatório, metonímia da perseguição da PIDE que, deixando de haver delito de opinião, deixa de fazer sentido e perde o seu poder; pelo megafone com que os jovens são chamados a participar e a intervir activamente nas decisões políticas do seu país; e pelo portão de Caxias, uma das mais terríveis prisões políticas em solo português, aberto alguns dias depois da Revolução, conduzindo os presos para a Liberdade. | Ana Margarida Ramos
   
 
   
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